Departamento de Comunicação
04/07/2015 - 07:59 - Atualizado em 06/07/2015 - 13:41


Aeroporto Municipal é batizado com nome do pioneiro da aviação na cidade

A manhã do último sábado (04), aniversário de Paranaíba, foi de homenagens. A primeira delas ocorreu no Aeroporto Municipal, que ganhou o nome de Guilherme Nunes Leal (Beco Piloto). Com a presença dos familiares, autoridades presentes, dentre elas o prefeito e o governador Reinaldo Azambuja, fizeram o descerramento da placa de denominação ao aeroporto.

Aeroporto Municipal é batizado com nome do pioneiro da aviação na cidade


Os familiares presentes se emocionaram bastante, uma vez que o pioneiro da aviação em Paranaíba deixou o convívio em agosto do ano passado. O prefeito elogiou a conduta de Beco, durante a vida, ressaltando as qualidades que fizeram dele uma pessoa de muito respeito na sociedade local.

 

Uma das filhas do aviador, Sandra Leal agradeceu muito a homenagem. “É um momento de muita alegria, porque ter o nome do pai da gente perpetuado é uma sensação de realização. A família está muito agradecida, pois ele tem história de vida muito bonita e era um apaixonado da aviação civil.

 

O neto Felipe Leal compartilhou da mesma sensação da mãe. “Estou muito satisfeito e o legado do meu avô está permanecendo. Muito feliz pela homenagem. Parabéns para o prefeito e o Jalmir (Modesto, secretário Municipal de Agricultura e Pecuária) que contribuiu para isso”, concluiu.

 

Biografia

 

Filho de Levino Garcia leal e Delfina Nunes da Silva, Beco nasceu em 27 de abril de 1923, neste município e teve três irmãos: Maria, Emerenciana e Francisco. Beco ficou órfão de pai aos quatro anos de idade, quando seu pai foi picado por uma cobra. Da fazenda Barreiro de Cima, onde aconteceu a tragédia, Beco veio morar na cidade onde a necessidade de trabalhar era grande.

 

Com sete anos de idade começou a vender picolés e sorvetes em um bar. Estudou ate o 4º ano no grupo escolar “José Garcia leal”. Aos 18 anos serviu o exército e ganhava dinheiro na função de cão, dinheiro este, que era doado a mãe para ajudar no sustento dos irmãos. Com muito esforço e o sonho de ser piloto foi fazer um curso de pilotagem na cidade de Birigui-SP e tirou seu brevê na cidade do Rio de Janeiro-RJ.

 

Iniciou pilotando o avião do Sr. Vicente Peralta e com a ajuda do amigo fazendeiro Garão Maia financiou seu próprio avião, um CESSNA, modelo 170, prefixo PT-ALG na cor vermelha e prata que tinha espaço para piloto e três passageiros.

 

Sr. Guilherme fazia taxi aéreo porque não havia pontes, estradas e carros para as pessoas irem visitarem familiares, a médicos, hospitais, salvando vidas e levando pacientes ao Estado de São Paulo.  O avião era o meio de transporte mais usado na época inclusive fazia vôo com crianças para cura da coqueluche.

 

Voou durante 20 anos levando e trazendo malotes de dinheiro para o Banco do Brasil, transportando os fazendeiros, Garão Maia, José Vital, Diogo de Souza Queiróz , João Martins, Olegário Rodrigues de Freitas, Fernando Alves Garcia e outros para suas propriedades e lazer. Levava políticos da região para Cuiabá na época capital do Estado de Mato Grosso e a outros Estados.

 

Casou-se em 16 de junho de 1959 com Maria aparecida Leal, mulher guerreira e companheira de luta com quem teve três filhos, Sandra, Guilherme Leal Junior e Sania e seis netos Guilherme Moraes Leal, Ricardo, Viviane, João Otavio, Bruno Henrique e Felipe que exerce a profissão de advogado nesta cidade, e muito lutou para que a memória do seu avô fosse perpetuada.

 

Com a chegada do progresso, as pessoas começaram a comprar carros e o taxi aéreo deixou de ser usado, uma vez que era um transporte caro. Mesmo assim, o Sr. Beco não desistiu, vendeu o avião e iniciou uma nova etapa em sua vida e comprou uma propriedade rural denominada, fazenda Nossa Senhora Aparecida, logo depois adquiriu a propriedade denominada Serrinha II ambas no município de Paranaíba-MS.

 

Dedicou-se a pecuária da região com cria, recria e engorda. Era um admirador do gado da raça Gir.

 

Sr. Guilherme Nunes Leal nos deixou no dia 18 de agosto de 2014 com 91 anos e nos ensinou os valores da honestidade, da responsabilidade e do respeito ao próximo. Homem generoso, bom pai e esposo e um eterno apaixonado pela aviação, concordava com Santos Dumont quando dizia “ As coisas são mais belas quando vistas de cima”.


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